segunda-feira, 8 de junho de 2026

Como é bom brincar

        O dia estava a começar e com o sol a brilhar, vários moradores da aldeia Pepita saíam para as ruas.
Enquanto algumas pessoas tomavam o pequeno-almoço no café da aldeia, outras apressavam-se a ir para os seus empregos.
Na rua Galitos, numa pequena casa já desgastada pelo tempo, morava Mariana de 9 anos, os pais Filipe e Simone e ainda, Cromo, o gato de estimação.
Mariana era muito envergonhada e passava muito tempo a brincar. Rita e Luís eram os seus amigos e era habitual encontrá-los a brincarem felizes.
Para aproveitarem o dia ao máximo, os três amigos correram para a praça Reboliço e ao chegarem lá, viram uma menina que não conheciam nem da aldeia nem dos arredores.
- Quem será!?
- Não faço ideia.
- Nem eu! Nunca a vi nem mais gorda nem mais magra.
- Vamos-lhe perguntar o nome?
- Eu não!
- Nem eu.
- Então vou eu.
- Tu é que sabes. Mas, e se ela for má!?
- Isso é problema dela. Eu vou lá.
Rita aproximou-se da menina e sorriu.
- Olá.
- Olá.
- Como te chames?
- Inês.
- Eu sou a Rita e estes são os meus amigos Luís e Mariana.
- Olá.
- Onde moras?
- Moro aqui na Pepita.
- Estranho. Também cá moramos mas, não te conhecemos.
- Eu não saio de casa.
- Porquê!?
- Tenho tudo o que quero em casa. Bonecas, jogos e um gato.
- Eu também tenho um gato, o Cromo e uma boneca.
- Que já não tem cabelo.
- Pois. Mas isso foi o Cromo que fez. Vocês sabem bem que ele só descansou quando lhe arrancou o cabelo todo.
Inês riu-se com gargalhadas e os restantes também. 
- Por ele ser tão doido é que lhe chamo Cromo.
- E quando andámos o dia todo à procura dele!?
- Pois. E ele esteve sempre deitadinho e enrolado na melhor camisola do meu pai.
Inês continuou a rir-se.
- Queres brincar às escondidas?
- Como é!?
- É fácil. Um de nós fecha os olhos e conta até 20 enquanto os outros se escondem. Depois, quem esteve a contar tem que encontrar os outros.
- Deve ser giro.
- E, é. Às vezes, os esconderijos são muito bons.
- Podem ser tão bons que, depois nem se consegue sair deles. Não é, Rita?
- Não me lembrem de quando me escondi no moinho e depois não consegui sair.
- A tua sorte foi que a Mariana viu que tinhas ido para lá.
- Se a porta não se tivesse fechado, não havia problema.
- Pois. Só que ela fechou e não foi nada fácil abri-la.
- Pois não.
- Vamos acabar a conversa e jogar às escondidas?
- Vamos.
- Então, vá. Eu conto e vocês escondem-se.
- Está bem. Mas, conta devagar.
Aproximando-se de uma árvore, Luís fechou os olhos e começou a contar. Sem saber o que fazer, Inês ficou quieta enquanto Rita e Mariana corriam para se esconder.
Acabando a contagem, Luís virou-se e viu Inês parada no mesmo sitio. 
- Não te escondeste?
- Não.
- Então, vem comigo procurar a Mariana e a Rita.
- Está bem.
Seguindo Luís, Inês acompanhou-o encontrando Mariana atrás de umas ervas altas e Rita, atrás do muro.
- Já vos encontrei. Agora quem é que conta?
- É quem foi encontrado em primeiro.
- A primeira foi a Inês mas, ela ainda não se tinha escondido. A segunda foi a Mariana por isso, é ela.
- Está bem.
  Já ao pé da árvore, Mariana começou a contar.
Rita afastou-se a correr e Luís esticou o braço para Inês.
- Vem comigo.
  Correram um bocado e chegaram perto do quiosque.
- Fica escondida atrás destes jornais que eu, vou até à borda do repuxo.
Quieta e calada, Inês ficou à espera. Algum tempo depois, Mariana, Luís e Rita aproximaram-se.
- Ganhaste, Inês! Se não fosse o Luís, nunca tinha vindo aqui procurar-te.
Inês sorriu, feliz.
- Jogar às escondidas é engraçado.
- Pois é.
- Agora podíamos jogar à macaca.
- Esse bicho é tão feio!
- O bicho é mas, o jogo não. Vou marcá-lo no chão.
Enquanto Rita o desenhava, Inês observava-a.
- Vou apanhar uma pedrita e já te mostro como jogamos.
Depois de escolher a pedrita, Rita atirou-a até ao quadrado número 6 e saltou casa a casa até a apanhar. De regresso ao inicio, entregou a pedrita a Inês.
- Agora é a tua vez.
  Inês atirou-a até ao quadrado 4 e com alguma dificuldade, saltou até a apanhar de volta.
- Este também é giro.
Depois de todos terem jogado algumas vezes, sentaram-se pertinho dos baloiços. Lá perto, duas crianças pequenas desciam o escorrega e riam felizes.
- Vamos também dar umas escorregadelas?
- Por mim, é já.
-Tenho uma ideia. 
- Qual!?
- Podemos fazer uma espécie de pista.
- Como?
- Começamos na macaca, depois vamos para o escorrega, a seguir para os baloiços e no fim, jogamos às escondidas.
- Sim. E depois de tudo, podemos ainda jogar à apanhada.
- Boa ideia.
- Vai ser divertido.
- Então, vamos.
Tal como tinham planeado, começaram pela macaca. Depois, foram para o escorrega onde cada um, escorregou quatro vezes. De seguida, foram para os baloiços onde Rita, conseguiu alcançar mais altura. Para terminar, jogaram às escondidas e divertiram-se muito.
Feliz com a diversão, Inês sorria e cantava. Terminados os jogos, os amigos reuniram-se.
- Gostaste Inês?
- Eu adorei! Nunca me diverti tanto.
- A partir de agora, quando quiseres podes vir brincar connosco.
- Está bem. De certeza que vou voltar.
- Ainda bem. Nas nossas brincadeiras, à sempre lugar para mais um amigo ou amiga.
Depois desse dia, sempre que podia, Inês juntava-se aos amigos e divertia-se cada vez mais.





sábado, 7 de fevereiro de 2026

O medo da Cristal

 

O dia estava a nascer e ao mesmo tempo, o país das fadas despertava.
Enquanto algumas fadas faziam os seus voos matinais, outras abriam as suas asas para espalhar o brilho da manhã e alegrar o dia.
- Hoje tenho que ir ao Pântano Seco ver se as flores não se esquecem de largar o seu perfume no ar,
- É melhor ires, Ella. Ontem esqueceram-se e houve muitas queixas.
- Vou agora mesmo. Queres vir comigo, Sol?
- Não posso. Tenho que ir acordar o Chulas senão, ele esquece-se de levar os filhos à escola.
- Tens razão. O Chulas é mesmo um pombo esquecido.
- Pois é. Até logo.
Ao chegar ao tronco onde Chulas morava, Sol bateu à porta e como ninguém respondeu, aproximou-se da janela. Viu então que, estavam todos a dormir profundamente. Pensando numa maneira de os acordar, abriu as asas e soltou um pó azul sobre o tronco.
Instantaneamente, ele abanou e Chulas acordou assustado.
- O que foi isto!?
De seguida, olhou para o relógio viu que eram 9:00.
- Levantem-se dorminhocos! Têm que ir para a escola!
Pouco depois, Chulas levou os filhos à escola e quando regressava a casa, viu a jovem fada Cristal sentada ao lado de um malmequer.
- Bom dia, Cristal.
- Bom dia, Chulas.
- Tudo bem contigo?
- Assim, assim.
- Então!? O que se passa?
- As minhas amigas foram ao Palácio dos Sonhos e eu, fiquei aqui.
- Porque não foste com elas?
- Eu tenho medo de voar e, o Palácio dos Sonhos é muito longe.
- Mas, tens medo de voar, porquê?
- Não sei.
- Já falaste sobre isso com as outras fadas?
- Elas não podem saber.
- Porquê!?
- Porque sou uma fada e não posso ter medos.
- Tu é que saber.
- Pois sei.
- Tenho que voltar para casa. Adeus.
- Adeus.
Chulas afastou-se e Cristal sentou-se novamente.
Ao aproximar-se da casa das fadas, Chulas decidiu falar com elas e bateu à porta.
Lua, a fada mais velha, apareceu.
- Bom dia Chulas.
- Bom dia Lua.
- O que precisas? Acabei agora mesmo de fazer um bolo. Queres?
- Não, obrigado. Só vim falar da Cristal.
- O que é que ela fez!?
- Não fez nada de mal.
- Então!?
- À bocado, estivemos a conversar e ela disse-me que tem medo de voar.
- O quê!? Ela nunca nos disse nada.
- Ela disse que vocês não podem saber pois as fadas não têm medos.
- Todas temos medo de alguma coisa. Eu, só de ouvir falar em abelhas, fico logo toda encolhida.
Enquanto Lua falava, as outras fadas aproximaram-se.
- Uma de nós tem que ir visitar uma menina chamada Bianca que, está doente e tem muito medo dos médicos.
- Como estava mesmo a falar de medos, a Cristal é que vai visitar a menina.
Calada, Cristal olhou para as outras fadas.
- Mas eu tenho medo de voar.
- Por isso mesmo. Se o assunto é medos, és mesmo tu que deves ir.
- Como?
- Chegou o momento de seres forte e perder o medo.
- Não sei se consigo.
- Claro que consegues. Para as fadas não há impossíveis.
Nesse momento, as fadas atiraram um pó brilhante para o ar que, acabou mesmo por cair em cima da Cristal.
- Tens que ir.
Com medo, Cristal abriu as asas e começou lentamente a voar. Ao chegar mais alto, voou até ao quarto da menina Bianca que, estava a chorar.
Silenciosa, aproximou-se e pousou na cama, pertinho da menina.
- Olá Bianca.
Bianca olhou para um lado e para o outro mas não viu ninguém. Cristal brilhou um pouco e então, Bianca viu-a.
- Quem és tu!?
- Sou a fada Cristal.
- O que queres?
- Quero ajudar-te.
- Como?
- Vou-te contar uma coisa.
- Está bem.
- Eu sempre tive medos mas, o maior era de voar. Nunca fui com as outras fadas voar e por isso, estava sempre em casa.
- Mas, tu sabes voar!?
- Todas as fadas sabem voar. Eu, é que de cada vez que pensava nisso, tinha muito medo.
- Porquê!?
- Não sei. Mas hoje, com a ajuda das minhas amigas, consegui e vim a voar até aqui.
- E não tiveste medo?
- Um bocado mas, agora estou aqui para te ajudar.
- Como?
- Sei que tens medo aqui do hospital e, para que fiques melhor, vou dizer-te que vai tudo correr bem.
- Como é que sabes?
- Eu sou uma fada e por isso, sei. Os médicos e enfermeiros não fazem mal a ninguém. Eles estão aqui para tratar de todos e para os doentes ficarem bem.
- Eles também me vão ajudar?
- Claro que sim.
- O que faço para não ter medo?
- Tens que acreditar que tudo vai ficar bem e que, o medo não existe.
- Se eu fizer isso, não tenho medo?
- Não. E lembra-te do que te falei acerca do meu medo em voar. Vais acreditar com muita força que tudo vai correr bem e que, és muito forte.
- Está bem.
- Tenho que regressar ao pais das fadas mas, vou ver se vais mesmo esquecer o medo.
Nesse momento, Cristal desapareceu e ficou no ar um brilho bonito.
A partir desse momento, Bianca perdeu o medo que sentia e, com a ajuda dos médicos, ficou boa.
Também Cristal perdeu o medo de voar e, desde esse dia, começou a acompanhar as outras fadas em todas as viagens.

Como é bom brincar

          O dia estava a começar e com o sol a brilhar, vários moradores da aldeia Pepita saíam para as ruas. Enquanto algumas pessoas tom...