O verão tinha chegado e felizes, os irmãos Gonçalo e Inês aproveitavam todos os segundos para brincar. Com um novo dia a começar, Inês acordou com o barulho de uma buzina que tocava repetidamente. No quarto ao lado, Gonçalo também acordou e, ao olhar pela janela, viu uma bicicleta de quatro rodas com um pequeno atrelado muito colorido. Depois de se vestirem à pressa, os irmãos correram até às portas, onde se encontraram. - Vamos depressa! - exclamou o Gonçalo. Ao saírem para a rua, olharam para todos os lados mas, já não conseguiram ver a bicicleta. - Para onde foi aquela bicicleta esquisita? - Não faço ideia. - Vamos ao quiosque do Fanam perguntar. Enquanto andavam, os irmãos olhavam para todo o lado à procura da bicicleta. Ao chegarem ao quiosque, viram na página de um jornal a fotografia de uma praia cheia de banhistas. - Bom dia. Se estão a escolher a praia para as férias, não escolham essa pois, tem mais banhistas que grãos de areia – disse o Fanam. - Na praia, eu quero é correr, saltar e ir à água sem andar aos encontrões com as outras pessoas – disse a Inês. - É o que fazes de melhor. Vocês têm é que se divertir. Poucos segundos depois, ouviram novamente a buzina da bicicleta e rapidamente, olharam para a estrada. Foi então que, viram a bicicleta aproximar-se. - Olá Fanam – disse o rapaz. - Olá Pedro – disse Fanam. - Tudo bem? - Sim. E contigo? - Também. Calados, os irmãos olhavam para Pedro. - Pedro. Quero apresentar-te estes meus amigos, o Gonçalo e a Inês. - Olá. - Olá. - Tens uma bicicleta gira mas, um bocado esquisita. - Eu sei. Muitas pessoas também dizem isso. - Nunca tinha visto nenhuma assim. - Pois. Esta bicicleta foi feita pelo meu avô Emídio que, adora inventar. - Eu também gosto de inventar mas, só brincadeiras. - Querem dar uma volta na bicicleta? - Podemos? - Claro que sim. - Então, eu quero. Em silêncio, Inês olhou para o chão. - E tu, Inês!? Também queres? Inês continuava calada. - A minha irmã ainda não sabe andar de bicicleta. - Então, vamos ensiná-la. - Queres aprender, Inês? - Eu gostava mas, tenho medo. - Não tens que ter medo. - Eu vou a casa buscar a minha bicicleta. Enquanto esperavam, Pedro levou a bicicleta até perto de Inês. - Sobe. Assim, começas a praticar. - Mas, e se caio? - Não cais. Eu seguro-te. Com medo à mistura Inês subiu e sentou-se . - Agora, como a bicicleta está no descanso, podes pedalar que ela não anda. - Está bem. - Muito bem. Pareces uma profissional. - Queres experimentar sem o descanso? - Sim!!! - Então, vamos lá. No inicio, Inês teve alguma dificuldade em equilibrar-se mas, depois de algumas tentativas, conseguiu. Afastou-se alguns metros e viu o irmão aproximar-se com a sua bicicleta. - Muito bem, mana. - Estou a fazer bem? - Sim. Daqui a uns tempos, ficas uma profissional. Inês sorriu e pedalou mais uns metros, voltando depois para ao pé do irmão e de Pedro. - Agora já podemos ir os três dar um passeio. - Mas, como!? Eu não tenho nenhuma bicicleta. - Não faz mal. Eu tenho outra e posso emprestar-te. Ao ver que o sol estava a desaparecer e que deviam regressar a casa, Gonçalo aproximou-se. - Está na hora de irmos para casa. - Ohhhh!!! Agora que eu estava a gostar tanto. - Amanhã venham ter comigo para continuarmos. - Fica combinado. De manhã, ao pé do Fanam. Durante o regresso a casa, Inês cantava muito feliz. Ao entrar em casa, correu até à cozinha e lá encontrou a mãe Simara a preparar o jantar. - Olá mãe. - Olá. O que andaram a fazer que nem vieram almoçar? - Estivemos com o Pedro e, a Inês aprendeu a andar de bicicleta. - Quem é o Pedro? - O Pedro é um rapaz que tem uma bicicleta muito esquisita e que conhecemos ao pé do Fanam. - E quem te ensinou a andar de bicicleta? - Foi ele. Com o dia a terminar, Gonçalo e Inês estavam muito felizes e desejosos pelo dia seguinte. Na manhãzinha seguinte, Inês levantou-se e a correr, foi acordar o irmão. - Vamos, Gonçalo! Despacha-te! Ensonado, o irmão preparou-se e pouco depois foi ter com a irmã à cozinha. Depois de tomarem o pequeno-almoço, despediram-se da mãe e saíram. Gonçalo foi à garagem buscar a sua bicicleta e aproximou-se da irmã. - Vamos. O Pedro já pode estar à nossa espera. Os irmãos chegaram rapidamente ao quiosque do Fanam mas, não viram o amigo. - Bom dia, Fanam. - Bom dia. - Viste o Pedro? - Não. Hoje ainda não. - Combinámos encontrar-nos aqui. - Ele deve estar a chegar. Pouco depois, Pedro apareceu com a sua bicicleta e trazia outra ao lado. - Bom dia. Desculpem a demora mas, estive a limpar esta bicicleta para a trazer. - Posso andar? - Claro que sim. Então, Inês subiu para a bicicleta e começou a pedalar afastando-se alguns metros. De seguida, Gonçalo e Pedro subiram para as suas e aproximaram-se. - Muito bem! Agora já podes ir connosco passear. - Que bom! Assim já não tenho que ficar à vossa espera. Divertidos, os amigos continuaram a pedalar e, alguns minutos depois, Pedro abrandou um bocado. - Venham comigo. Quero mostrar-vos um sitio espetacular. Depois de pedalarem mais um bocado, viram uma pequena baía de águas calmas e que estava sem ocupantes. - Esta é a minha praia. Aqui não vem ninguém por isso, eu aproveito e digo que é minha. - Que bom! - É muito bonita. - A partir de agora, esta é a nossa praia. Felizes, Gonçalo e Inês aproveitaram ao máximo a praia e escolheram-lhe o nome de praia Escondida. Estas férias foram então muito importantes pois, para além de Inês ter perdido o medo de andar de bicicleta, também a amizade dos três amigos cresceu ainda mais.
sexta-feira, 11 de junho de 2021
terça-feira, 9 de março de 2021
A Festa de Máscaras
Nas ruas da aldeia Vestimenta, só o café mercearia Calisto estava aberto e o aroma a café começava a espalhar-se.
Ali perto, numa pequena casa, morava Vânia de 11 anos e os pais Luís e Susana.
Quando Vânia acordou, levantou-se, vestiu-se e foi até à cozinha onde, a mãe preparava o pequeno-almoço.
- Bom dia – disse Vânia.
- Bom dia, filha – disse Susana.
- Que queres que eu faça? – perguntou Vânia.
- Vai ao Calisto e compra um queijo e uma lata de ervilhas enquanto faço o café – disse a mãe, entregando-lhe o dinheiro.
Saindo de casa, Vânia chegou rapidamente à mercearia e, enquanto esperava pela vendedora, viu um cartaz onde anunciavam uma festa de máscaras.
- Bom dia, Vânia – disse a senhora da mercearia que chegou nesse momento.
- Bom dia, dona Constança – disse Vânia.
- De que precisas? – perguntou Constança.
- A minha mãe mandou-me vir comprar um queijo e uma lata de ervilhas – respondeu Vânia.
- Muito bem – disse Constança, indo buscar os produtos.
- Quanto é? – perguntou Vânia.
- São 3 euros e 70 cêntimos – respondeu Constança.
Depois de contar o dinheiro, Vânia entregou-o à vendedora e olhou novamente para o cartaz.
- Já tens a máscara para a festa? – perguntou Constança.
- Eu não sabia de nenhuma festa – respondeu Vânia.
- Pois. Ontem, veio cá o presidente do clube recreativo e deixou cá o cartaz – disse Constança.
- Não sabia – disse Vânia.
- Pelo que já ouvi, vai ser uma festa com muita música e, acho que vai haver prémio para o melhor disfarce – disse Constança.
- De certeza que vai ser uma grande festa – disse Vânia.
- Vais? – perguntou Constança.
- Eu gostava. Mas, não tenho nenhum disfarce – respondeu Vânia.
- Se quiseres, logo à tarde vem cá que, podemos ir ao armazém e talvez encontremos alguma coisa – disse Constança.
- Tenho que pedir à minha mãe – disse Vânia.
- Então, se ela deixar, vem aqui ter comigo às 15:00 – disse Constança.
- Está bem – disse Vânia.
Durante o caminho, Vânia começou a pensar na festa e em vários disfarces.
Ao chegar a casa, entregou as compras á mãe e calada, continuou a pensar na festa.
- O que se passa? – perguntou a mãe, vendo-a tão pensativa.
- Na mercearia vi um cartaz a anunciar uma festa de máscaras – respondeu Vânia.
- Estou a perceber que gostavas de ir – disse a mãe.
- Pois gostava – disse Vânia.
- O problema é que não tens nenhum disfarce – disse a mãe.
- A dona Constança disse que, se eu quisesse que me ajudava – disse Vânia.
- Então, aproveita e vai – disse a mãe.
- Obrigado, mãe – agradeceu Vânia.
Feliz e ansiosa, Vânia esperou pelas 15:00 e regressou à mercearia onde, dona Constança a esperava.
- Ainda bem que vieste. Tenho ali umas roupas e alguns acessórios que te vão dar o disfarce perfeito – disse Constança.
- O que é? – perguntou Vânia.
- Vamos até ao sótão que já vais ver – disse Constança.
Ao chegarem ao sótão, Constança pegou num fato preto, numa gravata e numa cartola.
- Experimenta – disse ela.
Sorridente, Vânia experimentou as roupas e, depois de algumas dobras, ficou perfeito.
- Só falta o bigode mas esse, eu desenho-o com um lápis de olhos – disse Constança.
- É Muito bonito. Adoro – disse Vânia.
De regresso a casa, Vânia aproximou-se da mãe que regava as flores.
- Mãe! Já tenho o disfarce para a festa. É lindo – disse Vânia, feliz.
- Ainda bem – disse a mãe.
Os dias foram passando e no dia da festa, Vânia regressou à mercearia.
- Bom dia – disse Vânia.
- Bom dia. Ainda bem que vieste – disse a dona Constança.
- Estou com muita vontade de ver o que os outros vão vestir – disse Vânia.
- Pelo que sei, a festa vai começar às 17:00 por isso, era bom se estivesses cá às 16:00 para termos tempo de te preparar – disse Constança.
- Não se preocupe que não me vou atrasar – disse Vânia.
À hora marcada, Vânia chegou à mercearia e foi vestir o fato. De seguida, Constança desenhou um bigode na cara de Vânia e, segundos depois, ela viu o trabalho final.
- Estás espectacular! – exclamou Constança.
- Não pareço mesmo eu – disse Vânia.
- Só falta a bengala – disse Constança, entregando-lhe uma.
- Estou mesmo espectacular – disse Vânia.
- Já podes ir para a festa – disse Constança.
- Vou já – disse Vânia, saindo para a rua.
Enquanto andava, Vânia ia praticando uma voz diferente da sua e só pensava na festa. Ao chegar à sua casa, Vânia bateu à porta e, pouco depois, a mãe abriu-a.
- A festa não é aqui – disse ela, não reconhecendo a filha.
- Mãe! Sou eu – disse Vânia.
- Que bom disfarce. Não te reconheci – disse a mãe.
- Ainda bem – disse Vânia, a sorrir.
- De certeza que ninguém te vai reconhecer – disse a mãe.
- Era bom que não. Está na hora. Até logo – despediu-se Vânia.
- Até logo, Vânia Chaplin – despediu-se a mãe.
Ao chegar ao clube recreativo, Vânia viu que já lá estavam muitas pessoas. Viu também o presidente mascarado de polícia que, subiu ao palco para falar.
- Boa tarde, mascarados e mascaradas. Vamos então dar inicio a esta festa e, preparem-se para as surpresas – disse ele.
Então, a música começou a tocar e, com muitos balões à mistura, a alegria era grande. Entre danças, brincadeiras e algumas partidas, Vânia sentia-se muito feliz.
Algum tempo depois, o presidente subiu novamente ao palco e voltou a falar.
- Espero que se estejam a divertir. Peço agora a todos que subam ao palco e que, exibam os seus disfarces para que seja escolhido o melhor. Vai ser avaliada a originalidade, o vestuário e outras coisas mais que, não vou dizer – disse ele.
Calmamente, os mascarados começaram a desfilar no palco e Vânia, com a bengala fez um ritmo e jeito de andar muito engraçado.
Terminado o desfile, o presidente reuniu-se com algumas pessoas e conversaram um pouco. Depois disso, aproximou-se novamente do microfone.
- Está na hora de anunciar o disfarce vencedor. Com originalidade, a vitória é de Charlie Chaplin! – anunciou ele.
Muito feliz, Vânia aproximou-se.
- Obrigado – disse ela.
- O disfarce é espetacular e, como prémio, ganhas esta medalha – disse o presidente, entregando-lha.
Após mais algumas brincadeiras, Vânia regressou a casa com um enorme sorriso e muito, muito feliz.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
O mocho bisbilhoteiro
Um novo dia começava e aos poucos, todo o bosque Farripa despertava lentamente. Os pássaros já cantavam e, até as preguiçosas das corujas já arrumavam os seus ninhos.
Farripa era um bosque especial onde, todos eram essenciais e, a amizade era muito importante. Lá, todos os animais tinham os seus nomes e, eram muito felizes.
Já reunidos na margem do lago Aspas, a coruja Tieta confirmava se os animais estavam todos.
- Alfa – chamou ela.
- Presente – respondeu o veado.
- Eureca – chamou ela.
- Presente – respondeu a lebre.
- Picasso – chamou ela.
- Presente – respondeu o ouriço.
- Chuvisco – chamou ela.
- Presente – respondeu o pirilampo.
- Panqueca – chamou ela.
- Também estou presente – respondeu o castor.
- Cuca – chamou ela.
- Presente – respondeu o esquilo.
- Monalisa – chamou ela.
- Presente – respondeu a raposa.
- Guga – chamou ela.
Sem ouvir resposta, Tieta repetiu:
- Guga – chamou ela.
- O Guga não está – disse o Picasso.
- Como já é hábito, deve andar por ai a ouvir as conversas – disse a Eureca.
- O que acham de, todos juntos, lhe darmos uma lição por ele ser sempre tão bisbilhoteiro? – perguntou a Monalisa.
- Acho muito bem – respondeu o Alfa.
- Então, se todos concordam, vamos pensar num plano – disse a Monalisa.
Nos minutos que se seguiram, todos pensaram numa maneira de acabar com o hábito de Guga. Foi então que a Panqueca se levantou.
- Já sei! – exclamou ela.
- Então!? – perguntou o Picasso.
- O Guga é muito bisbilhoteiro e não sabe guardar segredos. Por isso, vamos inventar um e, depois de ele o espalhar, só temos que o envergonhar – respondeu a Panqueca.
- É isso mesmo – disse a Eureca.
Em silêncio, os amigos começaram a pensar na mentira que tinham que inventar mas, não conseguiam encontrar o ideal. Depois de mais algum tempo, o Chuvisco acendeu a sua luz.
- Já sei! – exclamou ele.
- Então!? – perguntaram os amigos.
- Vamos dizer-lhe que amanhã o Cuca faz anos e que, de manhã, nós vamos fazer-lhe uma festa surpresa na colina. De certeza que ele vai espalhar a notícia e, quando os animais lá chegarem e virem que é tudo mentira, vão deixar de acreditar nele – explicou o Chuvisco.
- Boa! – exclamou a Panqueca.
- Eu vou-lhe dizer – disse o Alfa, afastando-se.
- Então, fica combinado que amanhã, vamos cedinho esconder-nos atrás dos arbustos e, depois de o Guga e os amigos chegarem, aparecemos – disse o Chuvisco.
- Tens a certeza de que ele, vai deixar de ser bisbilhoteiro? – perguntou a Eureca.
- Certeza não tenho. Mas, pode ser que resulte – respondeu o Chuvisco.
- Vamos para casa, antes que ele desconfie – disse o Cuca.
Depois de se despedirem, cada um foi para a sua casa e Alfa foi até à árvore onde Guga morava e começou a pular.
- Guga! Guga! – chamou ele.
- Que aconteceu!? – perguntou o Guga.
- Amanhã o Cuca faz anos e o nosso grupo de amigos vai fazer-lhe uma festa surpresa na colina. É segredo porque não queremos que vão muitos animais – disse o Alfa.
- Eu não digo a ninguém – disse o Guga.
- Então, até amanhã – despediu-se Alfa, indo para casa.
Já em casa, Alfa pensou no que todos tinham planeado e adormeceu com a certeza de que, ia ser uma boa lição.
Na manhã seguinte, os amigos foram para a colina e esconderam-se à espera de Guga.
Alguns minutos depois chegou a tartaruga Nini, o coelho Tonga, a doninha Fifi com os seus filhotes Dó, Ré, Mi, Fá, Sol e Lá e ainda Guga.
Guga, olhou para todos os lados mas, não viu qualquer sinal de festa de aniversário. Pouco depois, Tonga aproximou-se e olhou-o, muito sério.
- Onde está a festa? – perguntou ele.
- Não sei – respondeu Guga, olhando para os lados.
- Só cá estamos nós. À festa ou não!? – perguntou a Nini.
- Eles devem estar atrasados – respondeu Guga.
Segundos depois, os amigos saíram das ervas onde estavam escondidos e aproximaram-se.
- Está tudo pronto para a festa? – perguntou o Guga.
- Não. Não vai haver festa nenhuma – respondeu a Panqueca.
- Então!? Mas, ontem o Alfa disse-me que vocês iam fazer uma festa surpresa para o aniversário do Cuca – disse o Guga.
- Pois. Mas, também te disse que era só para o nosso grupo de amigos e não, para todos os animais do bosque – disse o Alfa.
- Vocês não queriam era que eu viesse – disse o Guga.
- Nada disso. Isto foi tudo planeado para tu perceberes que, um segredo é um segredo e não deve ser falado – disse a Monalisa.
Ao ouvirem aquilo, os outros animais afastaram-se, regressando para as suas casas.
A partir desse dia, o Guga deixou de andar sempre à escuta e, começou a respeitar as conversas dos outros.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2020
A força do Natal
O relógio do Pólo Norte começou a bater e o Pai Natal estava muito feliz na cozinha, a preparar umas deliciosas rabanadas. Nesse momento, a rena Trovão aproximou-se:
- Pai Natal! Aconteceu um acidente! – exclamou ela.
- Quente! Pois, as rabanadas ainda
estão quentes – disse o Pai Natal que, já não ouvia muito bem.
- Não é isso! Aconteceu mesmo um
acidente – disse a Trovão.
- Ah! Estás a dizer que fazem mal aos
dentes. Não fazem muito bem mas, se não abusarmos, o problema não é assim tão
grande – disse o Pai Natal.
- Vamos à oficina – disse a Trovão.
- Vamos lá então – disse o Pai Natal.
Ao chegarem à oficina dos brinquedos,
o Pai Natal viu que a rena Corredora estava caída no chão e que, o Rudolfo e a
Raposa estavam a pousar um grande embrulho no trenó.
- O que aconteceu? – perguntou o Pai
Natal aproximando-se da Corredora.
- Ai, Pai Natal – gemeu ela.
- O que se passa? Porque estás assim
no chão? – perguntou o Pai Natal.
- Aquele embrulho pesado, caiu em cima
das minhas patas dianteiras – respondeu a Corredora.
- Como é que isso aconteceu? –
perguntou o Pai Natal.
- Eu e a Empinadora estávamos a
arrumar aqueles presentes e, de um momento para o outro, só ouvi alguém gritar
“Cuidado
Corredora” e, senti alguma coisa a cair em cima das minhas patas –
respondeu a Corredora.
- Quando vi a Corredora no chão, corri
até cá e, com a ajuda do Rudolfo tirámos o caixote de cima das patas dela –
disse a rena Raposa.
- Qual foi o caixote? – perguntou o
Pai Natal.
- Foi aquele que tem as pistas de
carros – respondeu a Trovão.
- Logo esse que é um dos mais pesados.
Mas, vamos lá ver como ficaram as tuas patas – disse o Pai Natal.
Com alguma dificuldade, Corredora
sentou-se no cadeirão do Pai Natal e mostrou-lhe as patas.
- Pelo que estou a ver, por pouco não
se partiram as unhas o que, era muito doloroso. Mas, as patas já estão a inchar
e vão ficar bem pisadas – disse o Pai Natal.
- E como faço para irmos entregar os
presentes? – perguntou a Corredora.
- Se calhar, não podes ir – respondeu
o Pai Natal.
- Mas eu quero ir – disse a Corredora,
a chorar.
- Vou ver se consigo resolver o
problema – disse o Pai Natal.
Depois de pensar durante alguns
minutos, sorriu.
- Já sei! Dançarina, vai chamar o
duende Shinny Upatree – disse ele.
- O Shinny Upatree já está tão
velhote. O que é que ele pode fazer? – perguntou a Dançarina.
- Por ele ser o duende mais velho,
pode saber alguma coisa – disse o Pai Natal.
A correr, Dançarina foi até à casa dos
duendes e, viu Shinny Upatree muito quieto a ver os outros duendes a brincar.
Então, sem fazer barulho, aproximou-se e, no momento em que ia falar, Shinny
levantou-se.
- O que se passa? – perguntou ele.
- A Corredora está com um problema
que, pode complicar em muito a entrega dos presentes na noite de Natal –
respondeu a Dançarina.
- Então!? – perguntou Shinny.
- Enquanto estávamos a arrumar os
presentes que já estão prontos, um caixote pesado, caiu em cima das patas da
Corredora e, ela está com muitas dores. Então, o Pai Natal mandou-me aqui, perguntar-te
se sabes alguma magia para que ela, amanhã possa ir connosco entregar as
prendas – respondeu a Dançarina.
- Espera um pouco – disse Shinny,
afastando-se.
Alguns minutos depois, regressou com
um pacote pequeno na mão.
- Vamos lá – disse ele.
De regresso á oficina do Pai Natal,
Shinny foi até à Corredora e, tirou um pó de dentro do pacote. Enquanto o
largava por cima da pata da Corredora, dizia:
“Pó
dos pezinhos
E
unhas entaladas
Não
demores muito
A
deixar as patas curadas”
Depois
de repetir aquelas palavras três vezes, Shinny olhou para a Corredora.
- Já podes levantar-te e andar – disse
Shinny.
Devagar, a Corredora levantou-se e
começou a andar. Feliz, aproximou-se das outras renas que, pulavam contentes.
- Estou boa! – exclamava ela.
- Ainda bem – disse a Empinadora.
Enquanto as renas pulavam de alegria,
Shinny aproximou-se do Pai Natal.
- Obrigado por salvares o Natal –
disse o Pai Natal.
- Mas, eu não salvei o natal – disse
Shinny.
- Salvas-te sim. Ao curares a pata da
Corredora, a entrega dos presentes está garantida – disse o Pai Natal.
- O que te vou contar tem que ficar em
segredo – disse Shinny.
- Comigo, segredo é sempre segredo –
disse o Pai Natal.
- Então, aqui vai. Eu não sei nenhuma
magia para as patas e, o pó que deixei cair na pata da Corredora, é orvalho –
disse Shinny.
- Mas, como é que o orvalho corou a
Corredora? – perguntou o Pai Natal.
- Não foi o orvalho. Foi sim o desejo
da Corredora em fazer as crianças felizes – explicou Shinny.
- Oh Shinny! Não sei o que teria feito
sem a tua ajuda – disse o Pai Natal.
- O natal é mágico e, todos temos que
ser felizes – disse Shinny saindo e acenando adeus.
Feliz, o Pai Natal fechou a porta e,
com um enorme sorriso foi até à oficina e desejou a todos
Feliz Natal
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
O segredo de Ákila
Um
novo dia de verão estava a começar e o sol brilhava com toda a sua força e
poder.
Na
rua Chucha da aldeia Esquinada, moravam os irmãos Inês e Gonçalo de 10 e 12 anos
que, adoravam divertir-se com os amigos Cláudia e Diogo.
Nessa
manhã, ao acordar, Inês olhou para o relógio e quando viu que já eram 10:00,
levantou-se, preparou-se e correu até ao quarto do irmão que, continuava a
dormir.
-
Gonçalo! Gonçalo! Levanta-te que já estamos atrasados! – exclamou ela.
-
Já vou – disse Gonçalo, com muita preguiça.
Depois
de tomarem o pequeno-almoço, os irmãos saíram de casa e dirigiram-se para o
parque da aldeia onde, os amigos os esperavam.
-
Bom dia. Ainda bem que chegaram – disse Diogo.
-
Pensei que se tinham esquecido do que combinámos – disse Cláudia.
-
Desculpem. Ontem adormecemos tarde – disse Gonçalo.
-
Estivemos a ver um filme e acordámos à pouco – disse Inês.
-
Sem problema. Vamos então decidir o que fazer – disse Diogo.
-
Eu pensei que podíamos ir até ao farol – sugeriu Cláudia.
-
Boa ideia. Lá, podemos falar com o faroleiro Gaspar e, talvez consigamos ver
golfinhos – disse Gonçalo.
-
E também podemos encontrar lá, o pescador Jeremias – disse Inês.
-
É isso mesmo – disse Diogo.
Durante
o percurso, os amigos encontraram a dona Margarida que feliz, tratava das suas
flores.
-
Bom dia, meninos – disse ela.
-
Bom dia, dona Margarida – disseram os amigos.
-
Tudo bem com vocês? – perguntou a dona Margarida.
-
Sim – respondeu a Cláudia.
-
Então, até logo – disse a dona Margarida, deixando-os continuar o percurso.
Minutos
depois, já perto do farol, os amigos começaram a procurar Gaspar com o olhar
mas, não o encontraram. Aproximaram-se um pouco mais e então ouviram:
-
Ótima pescaria! Hoje deves ter usado magia para pescares assim tanto – disse
uma voz.
-
Acho que foi mesmo sorte – disse outra.
Curiosos,
os amigos aproximaram-se um pouco mais da beira-mar e então, viram Gaspar a
conversar com o pescador Jeremias.
-
Bom dia – disseram os amigos.
-
Bom dia, rapaziada – respondeu o Gaspar.
-
Muito bom dia – disse ainda o Jeremias.
-
Precisam de alguma coisa? – perguntou o Gaspar.
-
Não. Só viemos dar um passeio perto daqui – respondeu a Inês.
-
Então vão ter sorte pois já vi um golfinho ainda não muito grande – disse o Jeremias-
-
Era bom se o conseguíssemos ver – disse o Gonçalo.
-
À pouco, ele estava perto da doca – disse o Jeremias.
-
Então, vamos até lá – disse o Diogo.
Enquanto
andavam, uma gaivota voava sobre as suas cabeças e parecia segui-los.
Ao
chegarem à doca, os amigos começaram a procurar sinais do golfinho. Pouco
depois, viram-no então perto das rochas. Aproximaram-se mais e, de um momento
para o outro, viram-no saltar da água e depois de voltar a mergulhar, espreitou
à superfície, pertinho dos amigos. Então, no momento em que lhe tocavam,
começou a cair do céu uma chuva de bolhas de sabão e ouviram:
“Olá!”
Os
amigos olharam para todos os lados mas, não viram ninguém. De seguida, olharam
para o golfinho que estava quieto a observá-los.
- Quem falou? – perguntou a Inês.
Enquanto esperavam por resposta, o golfinho
atirou-lhes água com a sua barbatana.
“
Fui eu, o Ákila” – disse o golfinho.
Surpresos,
os amigos olharam para o golfinho.
-
É impossível. Os golfinhos não falam – disse o Diogo.
“
Eu falo” – disse Ákila.
-
Como é que isso é possível? – perguntou a Cláudia.
“
Eu sou diferente dos outros animais” – respondeu Ákila.
Ainda
admirados com o que estava a acontecer, os amigos ficaram calados.
“
Vou-vos contar a minha história. Eu nasci muito longe daqui e a minha família era
muito grande. Mas, uma noite, a água onde vivíamos deixou de ser azul e passou
a amarela. Como eu e os meus irmãos estávamos a brincar com as algas, não
prestámos atenção e de repente, a minha mãe foi-nos chamar para irmos para
casa. Eu demorei um bocado mais e, quando me consegui soltar das algas, já
estava sozinho e não sabia para onde tinha que fugir. Nadei, nadei e por fim,
cheguei perto de umas rochas. Lá, encontrei um espaço e depois de passar por
ele, cheguei a uma praia com água muito clarinha e areia muito fininha.
Enquanto eu olhava para todos os lados à procura de alguém, apareceu um
caranguejo que quando me viu, mandou-me embora. Eu contei-lhe o que tinha
acontecido e ele disse-me que aquele lugar era secreto” – contou Ákila.
-
E o que fizeste depois? – perguntou a Inês.
“
Depois, o caranguejo ensinou-me o caminho para sair de lá. Hoje, enquanto
brincava com os meus irmãos, nadei até à doca e vi-vos. Como sou muito curioso,
decidi tentar ver-vos melhor” – disse Ákila.
-
És um golfinho corajoso – disse o Gonçalo.
“
Querem ir até à praia de que vos falei?” – perguntou Ákila.
-
Sim – responderam os amigos.
“
Então, vamos. Sigam pelas rochas até encontrarem uma com a forma de uma estrela
– disse Ákila.
Os
amigos começaram então a andar e passado algum tempo, encontraram a rocha que
Ákila tinha indicado.
-
A rocha está aqui – disse o Diogo.
-
E onde está o Ákila? – perguntou a Inês.
“
Estou aqui” – respondeu Ákila, saltando para fora da água.
-
E agora? – perguntou a Cláudia.
“Agora,
procurem a ponta que tem uma risca amarela e passem com cuidado por cima da
rocha que está à frente” – explicou Ákila.
Depois
de procurarem a risca amarela, os amigos encontraram-na e, ao passarem pela
rocha indicada por Ákila, viram uma outra rocha que parecia ter uma boca e por
onde entrava um pequeno curso de água.
“A
entrada é por aí” – disse Ákila.
Os
amigos aproximaram-se e com cuidado, passaram um a um por aquela passagem
esquisita. Lá dentro, estava tudo muito escuro e, era impossível ver alguma
coisa.
-
Não se vê nada – disse Diogo.
“Deixem-me
ir chamar os pirilampos” – disse Ákila.
Pouco
depois, Ákila regressou iluminado por muitos, muitos pirilampos.
“Já
podemos continuar” – disse ele.
Os
amigos avançaram e alguns metros depois, viram novamente céu azul. Viram também
que estavam a pisar areia muito brilhante.
-
Onde estamos? – perguntou a Inês.
“Estamos
na praia de que vos falei” – respondeu Ákila, saltando na água.
-
É muito bonita – disse o Gonçalo.
“Andem
até á água” – disse-lhes Ákila.
Os
amigos andaram e, quando chegaram á água, viram muitos peixes das mais variadas
cores e feitios.
“Estes
são os meus amigos que moram nesta praia secreta” – disse Ákila.
-
É uma praia fantástica – disse a Cláudia.
Nesse
instante, apareceu um caranguejo com cara de zangado.
“Quem
são vocês!? O que estão aqui a fazer? – perguntou ele.
“Tem
calma, Zuca! Eles são meus amigos e eu vim mostrar-lhes a nossa praia secreta –
explicou Ákila.
“Pois.
E a partir de agora, todas as pessoas vão começar a vir incomodar-nos – ralhou o
Zuca.
“Nada
disso. Estás-te a esquecer que nós é que decidimos quem cá pode vir – disse Ákila.
“Tens
razão. Estava-me a esquecer – respondeu Zuca.
“Então,
sempre que os meus amigos quiserem, podem vir aqui? – perguntou Ákila.
“Sim”
– respondeu Zuca.
A
partir desse dia, sempre que queriam e podiam, os amigos iam visitar a praia
secreta e todos os seus habitantes.
sexta-feira, 3 de abril de 2020
A vontade do Sebastião
Vestiu um fato de treino um pouco engelhado, calçou umas sapatilhas já cozidas várias vezes e, depois de guardar o lanche, foi para a escola.
Enquanto caminhava, Sebastião viu vários colegas passarem nos carros com os pais mas, todos lhe faziam caretas.
Ao chegar à escola, viu os amigos David e João a jogarem ao berlinde e, enquanto se aproximava, Filipe um colega de outro ano, passou-lhe uma rasteira.
Sebastião não conseguiu equilibrar-se e caiu mesmo de joelhos numa poça de água. Apressado, levantou-se e ao ver as calças sujas de lama, foi á casa de banho onde as limpou o melhor que conseguiu.
Pouco depois tocou a campainha e Sebastião entrou na sala com as calças molhadas. O professor Rogério ao vê-lo naquele estado, fez um ar de zangado.
- Menino Sebastião! Isso são maneiras de vir para a escola? – perguntou ele.
- Peço desculpa, senhor professor. Mas, caí ali fora – respondeu ele.
- Parece impossível! É no que dá as brincadeiras – disse o professor.
- Desculpe – disse Sebastião.
- Mas, pronto! Vai para perto do aquecedor para te enxugares e não ficares doente – disse o professor.
Sebastião foi então sentar-se perto do aquecedor e a aula começou. Quando esta terminou, no momento em que ia para sair, o professor chamou-o.
- Sebastião, não deves vir molhado para a escola. Tens que vestir sempre uma roupa enxuta – disse-lhe ele.
- Eu faço sempre isso e hoje também fiz. Mas, quando cheguei e ia para ir ter com o David e com o João, caí – explicou Sebastião.
- Não sei se foi mesmo isso que aconteceu mas, de qualquer maneira tens que ser responsável e cuidadoso – disse o professor.
- Sim, senhor professor – disse Sebastião.
- Agora, vai para o intervalo – disse o professor.
Sebastião saiu da sala e rapidamente, todos os colegas se aproximaram.
- Então Sebastião! Não tiveste tempo de ir à casa de banho – disse um.
- Se calhar esqueceste-te da fralda – disse outro.
- Ou apanhaste um grande susto – gozou outro.
Os olhos de Sebastião começaram a encher-se de lágrimas e ele afastou-se.
- Lá vai o bebé – disse um.
- Deve ir fazer queixinhas – disse outro.
- Ou então, vai à procura da chupeta – disse outro.
Durante o resto das aulas, Sebastião esteve sempre calado e ansioso por regressar a casa.
Terminadas as aulas, enquanto caminhava para casa, os amigos David e João aproximaram-se.
- Sebastião! Queres brincar connosco? – perguntou o João.
- Não. Estou chateado – respondeu o Sebastião.
- Anda lá. Esquece o que aconteceu – disse o David.
- Não esqueço. Ninguém acreditou que eu caí mas, vocês viram o que aconteceu e nem sequer uma palavra disseram – disse o Sebastião.
- Pois não. Desculpa – disse o David.
- Fomos uns medricas – disse o João.
- Pois foram. Por isso, vou já para casa – disse o Sebastião.
Ao chegar a casa, Sebastião foi tomar banho e após isso a mãe Clara aproximou-se.
- Então filho!? Que aconteceu? – perguntou ela.
Sebastião contou-lhe tudo o que tinha acontecido e foi para o seu pequeno quarto.
Os anos foram passando e Sebastião era agora um médico e foi visitar a sua aldeia. Chegado lá, foi à sua casa onde encontrou a mãe, já muito debilitada.
Depois, decidiu percorrer a aldeia e quem sabe, encontrar algum dos seus colegas de infância.
Ao passar em frente a um já antigo café, Sebastião viu David e João que sentados, jogavam as cartas.
- Olá pessoal! Como estão? – perguntou Sebastião.
- Olá – responderam os amigos.
- Então! Não me estão a conhecer!? – perguntou ele.
- Não! – responderam ambos os amigos.
- Então!? Sou o Sebastião – disse ele.
- Só podes estar a brincar – disse o João.
- Não estou não. Sou mesmo o Sebastião – disse ele.
- Então, o que te aconteceu? Estás diferente – perguntou o David.
- Vou- vos contar. Quando cheguei ao 7ºano, não pude continuar a ir à escola e, tive que começar a trabalhar – contou Sebastião.
- Até ai, nós sabemos – disse João.
- Pois. Trabalhei com uns pescadores, andei nas obras e mais tarde, consegui emprego numa loja de materiais de desporto. Mas, como sempre quis aprender mais, inscrevi-me numa escola à noite e, de dia trabalhava para à noite estudar. Como sempre fui teimoso, decidi que tinha que ser alguém e então, fui estudar medicina – disse Sebastião.
- Mas, como conseguiste? – perguntou David.
- Foi difícil. Mas, agora que já cheguei onde queria, decidi voltar à minha aldeia e ajuda-la no que puder – respondeu Sebastião.
A partir desse dia, todos compreenderam que os sonhos têm muita força e que, se lutarem por eles, conseguem alcança-los.
Como é bom brincar
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