quarta-feira, 7 de junho de 2023

O veado Sol

        O dia estava a começar e o sol tentava furar as nuvens que, teimosas não queriam desaparecer.
Na rua Canelada, morava Gonçalo de 12 anos que, adorava mexer nos seus caracóis louros.  
Naquela manhã, depois de tomar o pequeno-almoço, Gonçalo saiu para a rua. Lá, viu o carteiro Benjamim que sorridente, distribuía a correspondência.
- Bom dia, Gonçalo.
- Bom dia, senhor Benjamim.
- Hoje não vais à escola?
- Não. Os professores têm reunião e não dão aulas.
- Isso é que é sorte. Também gostava que as cartas me dessem uma folga de vez em quando.
- Havia de ser engraçado.
- Mais que engraçado. Era espetacular. Mas, elas não fazem isso e, lá tenho eu que as ir entregar.
- Então continue. Não quero que elas se chateiem.
- E eu também não quero isso. Então, vá. Adeus.
Continuando a andar, Gonçalo passou em frente do café Chilique e, viu que os seus amigos Rodrigo e Liliana lá estavam. Esperou por eles e, minutos depois, os amigos saíram e viram-no.
- Bom dia.
- Bom dia.
-Querem ir dar uma volta aqui pela aldeia?
- Sim. E aproveitamos e podemos ir ao bosque até ao tronco oco ver se o mocho ainda lá mora.
- Boa ideia.
- Vamos lá então.
Começaram a andar e algum tempo depois chegaram ao tronco oco mas, o mocho não estava lá. Então, olharam para vários sítios mas, não encontraram sinais dele.
Segundos depois, ouviram:
“Oohn, roon”
Sem reconhecerem aquele som de nenhum animal, os amigos ficaram quietos e calados. 
Pouco depois, o som repetiu-se:
“Oohn, roon”
- O que estará a fazer este barulho?
- Não faço ideia.
- Nem eu.
- Vamos seguir o som e ver o que é.
- Estás doido!? E se for algum animal perigoso?
- Aqui no bosque o mais perigoso que podemos encontrar devem ser as doninhas. Mas, duvido que elas estejam por aqui.
- Então vá. Vamos.
Andaram um pouco e, ouviram novamente:
“ Oohn, roon”
- Já devemos estar perto.
- Tens razão. Ouviu-se melhor o barulho.
- Vamos continuar mas, calados.
Em silêncio, os amigos andaram mais uns metros e, viram uns arbustos mexer.
- Parem! O animal deve estar atrás destes arbustos.
- Vamos devagarinho.
Ao chegarem ao arbusto, viram um pequeno veado deitado com uma grande ferida numa das patas dianteiras.
- Coitado.
- Eu vou lá.
- Eu também.
- E eu.
Aos poucos, aproximaram-se ainda mais dele e, viram então que, para além da ferida na pata, também havia outra na orelha esquerda.
“Oohn, roon”
“Oohn, roon”
-Temos que o ajudar. Ele parece estar cheio de dores.
- Mas, como!?
- Podemos levá-lo para o armazém do Chico madeireiro e tratar-lhe das feridas.
- Sim. Tenho a certeza de que ele não se vai importar.
- Então, vá.
- Mas, como levamos o veado?
- Eu vou buscar o carro de mão que tenho em casa.
- Ok.
Rodrigo afastou-se a correr e, enquanto esperavam, os amigos olharam melhor para as feridas do veado.
- A ferida da pata está com muitas ervas.
- Vamos tentar tirá-las.
Com muito cuidado, Liliana e Gonçalo tentaram tirar as ervas da ferida mas, o veado começou a bramar e a tentar fugir.
- Calma. Só te queremos ajudar.
Depois de várias tentativas falhadas, os amigos conseguiram tirar as ervas maiores e mais superficiais.
Pouco depois, Rodrigo regressou e, para além do carro de mão, trazia também algumas frutas e um bocado de tecido.
- Vamos começar. Temos que ter muito cuidado para não o aleijarmos.
  Então, estenderam o tecido no carro de mão e, devagarinho pegaram no veado. Também lentamente, mudaram-no para o carro de mão e, embrulharam-no no tecido.
- Agora, vamos com cuidado para evitar ao solavancos.
Ao longo do caminho, o veado queixou-se algumas vezes mas, os amigos tentavam ter o máximo de cuidado.
Já perto do armazém do amigo, Gonçalo viu que a porta estava aberta. Chegados à entrada, olharam para vários sítios à procura do amigo Chico mas, não o viram.
- Ele tem que estar perto. O armazém está aberto e por isso, ele não deve estar longe.
Segundos depois, ouviram um barulho parecido com o de um trovão e, viram uma nuvem de pó.
- Olá rapaziada. O que andam a fazer?
- Viemos aqui para te perguntar se podemos usar o teu armazém para tratar deste veado.
- Claro que podem. Mas, o que aconteceu?
- Quando o encontrámos no bosque ele já estava assim.
- Deve ter sido outro animal que lhe fez isso.
- Pois deve.
- Mas, vamos lá deixar de conversa fiada e, tratar-lhe das feridas.
Chico foi buscar o estojo de primeiros socorros, começando por desinfetar as feridas e fazendo os curativos. Terminado o trabalho, Liliana abraçou o veado que, aos poucos se levantou e deu uns passos pequeninos.
- Que bom! Daqui a uns dias já vai andar sem problemas.
- Pois vai.
- E agora!? Para onde o vão levar?
- Não sabemos.
- Têm que o levar para um sitio calmo. Nestes primeiros dias, ele não deve andar muito para as feridas cicatrizarem.
- Já sei. Podemos levá-lo para o telheiro da minha avó Hortênsia. Há lá sempre palha e, podemos arranjar-lhe uma cama.
- Parece-me bem. Vão lá levar-lhe comida e, de certeza que ele fica bom depressa.
- Obrigado, Chico.
- Não fui obrigado a nada.
- Adeus.
- Adeus.
- Será que a tua avó não se importa de lá deixarmos o veado?
- Se eu lhe pedir, tenho a certeza que não.
Começaram a andar e, ao chegarem à casa da avó Hortênsia, a Liliana foi falar com a avó.
- Olá avó.
- Olá Liliana.
- Avó, eu e o Rodrigo encontrámos um veado ferido e, fomos ao armazém do Chico fazer-lhe uns curativos. Mas, ele disse que o veado precisa num sitio calmo e sossegado. Então, lembrei-me do teu telheiro. Podemos levá-lo para lá?
- Podem. Vão andando que eu já lá vou ter.
- Obrigado, avó.
- Vão lá.
No telheiro, os amigos começaram a escolher o sitio onde deixariam o veado e, pouco depois, Hortênsia chegou e trazia um cobertor.
- Têm isto aqui para aconchegar o veado.
- Obrigado, avó.
Depois de prepararem tudo, deitaram o veado, cobriram-no e deixaram-no quieto e sossegado.
Os dias foram passando e sempre que podiam, Liliana e Gonçalo iam visitar o veado.
Numa tarde em que viram o veado a levantar-se sozinho, abraçaram-no felizes.
- Temos que lhe dar um nome.
- Pois é.
- Já sei!
- Então!?
- O que achas de Sol?
- É lindo.
- Então, é o Sol.
- Adoro.
Nos dias que se seguiram, os amigos continuaram a ir sempre visitar Sol e, uma tarde, viram-no a andar e a pular sem dificuldades.
- O Sol já está bom.
- Pois está.
- E agora!?
- Agora temos que o deixar ir.
- Vou ter muitas saudades.
- Eu também. Mas, ele não pode ficar aqui preso.
- Tens razão.
- Amanhã, vamos levá-lo ao bosque e, deixá-lo ir procurar a família.
- Sim. Eles devem estar com muitas saudades.
- Pois é.
- Então, vou tirar-lhe umas fotografias com o telemóvel para ficarem de recordação.
- Exato.
Depois das fotografias, os amigos foram para as suas casas.
No dia seguinte, Gonçalo e Liliana encontraram-se no alpendre e viram Sol deitado.
- Bom dia, Sol.
- O que será que ele tem?
- Deve ter percebido que tem que ir embora.
- Mas, ele pode continuar a ser nosso amigo.
- Pois pode. Mas, ele está triste mesmo assim.
- As despedidas são sempre difíceis.
- Então, o melhor é despacharmos-nos senão, ainda começo a chorar.
- Vamos lá então.
Então, levaram Sol até à entrada do bosque e soltaram-no. Ele, afastou-se a correr e a saltar e, com lágrimas nos olhos, os amigos acenaram-lhe adeus.
Enquanto se afastavam, os amigos encontraram Benjamim.
- O que se passa, rapaziada?
Liliana contou tudo o que tinha acontecido desde que encontraram Sol e, o carteiro ouviu atentamente.
- Não fiquem assim. Pode ser que o voltem a ver.
- Duvido.
- E eu também.
De regresso às suas casas, os amigos só conseguiam pensar em Sol.
No dia seguinte, Rodrigo foi à fonte da aldeia e, viu algumas ervas abanarem. Olhou melhor e, foi surpreendido por Sol que, encostou logo o focinho ao amigo.
Feliz, Rodrigo abraçou-o e, telefonou aos amigos, a marcar um encontro no Chilique.
Sem imaginarem qual seria a razão para o encontro, os amigos foram até lá. Ao chegarem, viram Sol e abraçaram-no felizes.
A partir desse dia, Sol ia diariamente visitar os amigos e, levava-os a locais muito bonitos no bosque.

quarta-feira, 10 de maio de 2023

A festa dos animais

        Numa manhã cinzenta, toda a floresta Verdasca estava triste e os animais não saíam das suas tocas e abrigos. 
Na grande caverna do urso Tóbi, ele e os esquilos Kiko e Kóki conversavam.
- Hoje não podemos apanhar avelãs.
- Nem andar a passear pelas árvores.
- Está um dia triste e só apetece ficar quieto em casa.
- Tu tens sorte pois a tua casa é grande. A nossa é muito pequena e não podemos fazer nada.
- O que querem fazer?
Depois de pensarem um bocado, Kóki sorriu.
- O que acham de fazermos uma festa?
- Sim!!!
- E podemos chamar os outros animais para participarem.
- Exato.
- Vou dizer ao papagaio Chóli para espalhar a noticia da festa.
Enquanto isso, Kiko e Tóbi começaram a preparar a festa. Enfeitaram-na com flores e plantas, apanharam alguns frutos e esperaram que os amigos e os outros animais chegassem à caverna.
Algum tempo depois, Kóki regressou na companhia do castor Zuca, do veado Fira e da raposa Tafa. 
- Vamos fazer uma grande festa.
- O que podemos fazer?
- Não é preciso fazerem nada.
Pouco depois, um bando de pássaros entrou na caverna.
- Aqui estamos, prontos para animar a festa.
Segundos depois, mais alguns animais chegaram à caverna, entre eles, a coelha Fira que vinha muito apressada.
- A tartaruga Sofi está a chorar!
- Porquê!?
- Como anda muito devagar, não vai conseguir chegar a tempo.
- Temos que a ajudar.
- Mas, como!?
- Temos que pensar numa solução.
Olhando para os amigos, Tóbi pensava em silêncio.
- Já sei!
- O quê!?
- A maneira de trazer a Sofi até nós.
- Como!?
- A Repa é a mais rápida de todos…
Nesse momento, Repa apareceu com mais flores.
- Repa, tens que ir buscar a Sofi que, está longe.
- Eu não. Estou zangada com ela e não a vou buscar!
- Esta festa é para todos os animais e, não podemos deixar nenhum de parte.
Kiko aproximou-se e olhou muito sério para Repa.
- Todos nós moramos nesta floresta e precisamos uns dos outros. Vamo-nos lembrar do que significa mesmo a palavra amizade.
- Mas, como faço para a encontrar?
- Os pássaros vão contigo e ajudam-te.
- Está bem.
Poucos segundos depois, vários pássaros levantaram voo e conduziram Repa até Sofi que, chorava.
- Sofi, sobe para as minhas costas pois, a festa espera-te.
- Já não estás zangada comigo?
- Não. Vamos esquecer a zanga e, continuar a amizade que tínhamos antes.
Feliz, Sofi subiu para as costas de Repa e rapidamente chegaram à festa.
Ao verem as amigas chegar, Tóbi começou a bater as palmas e todos os outros convidados também.
Após o inicio da festa, mais animais  apareceram e a diversão foi muito grande.
No final da festa, todos cantaram e bateram as palmas felizes pela amizade que tinham entre todos.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

A princesa Carlota

        No alto do monte Fugido, o castelo Florido, com as suas altas torres parecia tocar o céu.
Lá, morava o rei Zerpelino, a rainha Georgina e a princesa Carlota que, adorava sentar-se na beira do lago Azul e ver os peixinhos que pareciam dançar.
Numa tarde de outono, enquanto brincava com o seu gato Pipas, Carlota olhou para os seus pés e viu que os dedos tinham formas esquisitas e estavam cheios de borbulhas.
- Os meus pés são horríveis. Parecem dois lagartos velhos, cheios de escamas e marcas – disse ela.
Ao acabar de dizer isto, Carlota olhou novamente para os pés.
- Parecem os dedos das bruxas.
Abraçada a Pipas, Carlota pensava numa solução para o seu problema e viu um fumo esquisito no meio da floresta.
Subindo até à torre de vigia, viu a casa de onde o fumo saia e, estranhando nunca a ter visto, foi ter com a mãe.
- Mãe!? Quem mora na casa da floresta? - perguntou ela.
- Nessa casa. Mora a bruxa Gabriela e o seu ajudante Supimpas – respondeu a mãe.
Sem pensar duas vezes, Carlota saiu a correr e foi para a floresta, decidida a falar com a bruxa.
Ao chegar perto da casa, Carlota viu várias vassouras e também alguns chapéus pontiagudos pendurados num cordel.
Abraçada a Pipas, Carlota sentia uma mistura de curiosidade e medo mas, decidiu não desistir e cautelosa, tocou à campainha. Pouco depois, a porta abriu-se e Carlota viu um anão que vestia roupas muito coloridas e brilhantes. 
- Quem és tu e o que queres? - perguntou Supimpas.
- Eu sou a princesa Carlota e queria falar com a bruxa Gabriela – respondeu ela.
- Mas, que queres falar? - perguntou Supimpas.
- Quero-lhe perguntar se tem alguma poção que, me faça ter uns pés bonitos – respondeu Carlota.
- Eu vou falar com ela e pergunto-lhe – disse Supimpas.
A correr, Supimpas afastou-se e alguns minutos depois, regressou.
- A Gabriela diz que tem a solução. Anda comigo – disse Supimpas.
Sentindo um arrepio, Carlota foi atrás de Supimpas e por fim, chegaram ao pé de Gabriela que, com um vestido negro, agitava alguns frascos.
- Está aqui a Carlota.
Gabriela pousou os frascos e olhou muito séria para Carlota.
- Vou fazer-te uma poção que, vai tornar os teus pés mais bonitos que os da Cinderela – disse ela.
Depois de pegar em alguns pós, Gabriela começou a preparar a poção.
- Ratati, Ratatá
Rinhonhi, Rinhonhela  
Que os pés da princesa Carlota  
Fiquem melhores que os da Cinderela.
Acabadas as palavras, uma grande nuvem de pós envolveu os pés de Carlota e ela, começou a sentir um calor esquisito neles.
Quando a nuvem desapareceu, Carlota olhou para os pés e viu que estavam iguais.
- Porque é que estão iguais? - perguntou ela, triste.
- A magia demora a fazer efeito e, só amanhã é que eles ficam bem – respondeu Gabriela.
Acreditando na explicação, Carlota despediu-se.
- Até amanhã. Vou-me embora esperar que a magia aconteça – disse Carlota.
Ao regressar ao castelo, Carlota não contou a ninguém o que tinha feito e, esperava ansiosa pelos resultados.
No dia seguinte, ao acordar, Carlota olhou para os pés e viu que, continuavam iguais. 
- Está tudo igual. Continuo com os pés horríveis – disse ela.
Não conseguindo evitar o choro, Carlota sentia-se horrível e só tinha vontade de desaparecer. Abraçada a Pipas, ela foi para o jardim e continuando a chorar, sentou-se a observar as flores.
Alguns minutos depois, apareceu uma nuvem brilhante que pousou na margem do repuxo. Ao olhá-la mais atentamente, Carlota viu surgir uma fada ainda mais brilhante e com um lindo vestido.
Sem conseguir falar, Carlota ouviu a fada dizer:
- Não chores.
- Choro porque tenho os pés mais feios de sempre – disse Carlota.
- Eu sou a fada Aliane e vou-te ajudar – disse ela.
- Ninguém me pode ajudar. Já fui à bruxa Gabriela mas, nem ela conseguiu que ficassem bem – disse Carlota.
Interrompendo-a, Aliane sorriu.
- Vai ter comigo à estátua redonda e, vou-te provar que consigo o que desejas – disse Aliane.
No momento em que Carlota se preparava para fazer mais uma pergunta, Aliane sorriu-lhe.
- Espero lá por ti.
Confusa com o que tinha acontecido, Carlota pegou em Pipas e foi até à beira da estátua redonda. Lá, começou a aparecer uma luz muito brilhante e segundos depois, apareceu Aliane.
- Já está tudo preparado.
Nesse momento, apareceram várias borboletas que rodearam Carlota e então, Aliane abriu e fechou as mãos.
- Patati, pataté. Rinhonhi, rinhonhé. Transforma estes pés.
Rapidamente, Carlota sentiu um frio gelado nos pés e, num piscar de olhos as borboletas desapareceram.
Ao olhar para os seus pés, Carlota viu-os bonitos e brilhante e sem qualquer marca do que eram antes.
Sorrindo, Carlota olhou para a estátua redonda e, onde estava Aliane, estava agora uma bonita coroa de flores.

Pegando-lhe, Carlota colocou-a na cabeça e, a partir desse dia, esqueceu a tristeza e tudo a deixava feliz e contente.

domingo, 29 de janeiro de 2023

Um Cão Especial

Rodeada por longos campos de papoilas, a aldeia Pingada era a mais bonita dos arredores. Felizes, os seus habitantes adoravam cuidar dos seus jardins e mostrá-los com orgulho a todos os visitantes. Perto do repuxo da praça Plim Plim, o quiosque Pinguinhas mostrava os jornais que revelavam as noticias mais recentes e o vendedor Ambrósio, sorria e saudava quem passava perto. 
- Bom dia, dona Filó. Bom dia, Ambrósio. Temos noticias frescas?
- Frescas não, fresquíssimas!
- Tem que ser.
- Exatamente.
- Tenho que ir. Adeus.
- Adeus.
Segundos depois, um cão aproximou-se e parou a olhar para Ambrósio.
- Também queres ler um jornal? Tenho o Futebolas ou, preferes outro?
“Au!! Au!!”
- Estou a ver que não é o teu género. Se preferes de fofocas, tenho aqui tantas revistas que, nem sei o nome de todas.
“Au!!Au!!”
- Também não. Então, só resta política.
Nesse momento, a dona Marieta aproximou-se.
- Olá Ambrósio. Já falas com o cão?
- Olá. Estava a perguntar-lhe o que é que ele queria ler mas, parece-me que ele é sempre do contra.
- Em vez de ler, ele deve querer é comer. Já são 12:30 e, ele ainda não deve ter comido nada hoje.
- Por falar em comer, é o que vou fazer.
- Tem que ser. Bom almoço.
- Adeus.
Segundos depois, Ambrósio pegou na sua sandes de presunto e começou a comê-la. Enquanto isso, o cão continuava sentado à frente do quiosque. Então, Ambrósio tirou um bocado da sua sandes deu-o ao cão que o comeu rapidamente.
- Estou a ver que o que querias era comida.
“Au!!Au!!”
Minutos depois, a dona Ernestina aproximou-se.
- Boa tarde, Ambrósio.
- Boa tarde. Precisa de alguma coisa?
- Precisar até preciso.
- Então diga. Talvez a possa ajudar.
- A minha netinha vai hoje lá a casa e, queria dar-lhe uma prenda. Mas, não sei o quê.
- Que idade é que ela tem?
- Tem 2 anos e meio.
- Com essa idade, as crianças gostam de coisas coloridas. Acho que tenho ali um livro indicado para ela.
- Mostre-me.
Ambrósio virou-se e alguns segundos depois, mostrou à dona Ernestina um livro com capa fofa e colorida onde, as personagens podiam ser mudadas de lugar.
- Neste livro, para além das cores garridas, ela pode mexer em tudo sem qualquer perigo.
- É o que vou levar. Obrigado.
Depois da venda, Ambrósio voltou a ficar sozinho com o cão.
Minutos depois, chegaram à praça duas crianças que a correr, subiram para a borda do repuxo. Pouco tempo depois, ouviu-se um “splash”, seguido do barulho de algo a bater na água “tchap!tchap!” Nesse momento, o cão começou a correr e a ladrar e, ao chegar ao repuxo, saltou lá para dentro. Então, mordeu o carapuço da criança e puxou-lhe a cabeça para fora de água.
Ambrósio aproximou-se a correr e pegou na criança, tirando-a para fora.
Nesse momento, a mãe das crianças aproximou-se a correr.
- João!!! João!!!
- O seu filho está aqui. Molhado e assustado mas, bem.
- Oh! Obrigado. Muito obrigado.
- O agradecimento não é para mim mas sim, para este cão.
- Como!?
- Isso mesmo. Este rafeiro foi a primeira ajuda que o seu filho teve.
- Isso é impossível.
- Não é não. Ele, assim que percebeu que o seu filho precisava de ajuda, correu para cá e saltou lá para dentro onde, pelo carapuço , puxou a cabeça do menino para fora de água. Eu, apenas o tirei para fora.
- O meu João, foi salvo por um cão. Parece uma história.
Já mais calmo, João abraçou o cão.
- Mãe, podemos ficar com ele?
- Se o dono deixar.
- Ele não tem dono. Só costuma estar aqui a fazer-me companhia.
- Então, podemos?
- Claro que sim.
- Boa!!
- Que nome lhe vão dar?
- Já sei!
- Então?
- O quiosque é o Pinguinhas e ele, vai ser o Pingas.
- Boa ideia.
- Só quero pedir uma coisa.
- O quê!?
- De vez em quando, venham cá com ele para que fique a saber as noticias do mundo.
Todos se riram felizes e assim, o Pingas encontrou uma família que o passeava e levava ao quiosque onde Ambrósio o recebia muito feliz.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

O Cavalinho Mágico

    A manhã começou com o sol a tentar furar as nuvens e, toda a aldeia Pirraça despertava.
Numa pequena casa da rua Rodinhas, Daniel de 9 anos acordou e, preparou-se para ir para a escola.  No percurso, encontrou o amigo João e foram juntos o resto do caminho.
Durante as aulas, Daniel esteve o mais atento que conseguiu.
Ao regressar a casa, a mãe Leticia e o pai Gustavo aproximaram-se com um saco azul decorado com um grande laço vermelho.
- O que é isso? - perguntou o Daniel.
- É uma prenda que a tia Clarabela enviou para ti – respondeu a mãe.
Feliz, Daniel abriu-a rapidamente e viu um bonito cavalo de baloiço branco com, algumas estrelas douradas. Maravilhado, Daniel sentou-se e começou a baloiçar.
Segundos depois, apareceu uma nuvem muito brilhante e bonita.
Instantaneamente, Daniel esfregou os olhos e quando os voltou a abrir, viu o cavalinho a sorrir.
- Olá Daniel – disse o cavalinho.
- Olá – respondeu o Daniel.
- Queres ir comigo ao Mundo Encantado? - perguntou o cavalinho.
- Eu não posso. Tenho que fazer os trabalhos da escola – respondeu o Daniel.
- Então, vai fazê-los depressa para irmos – disse o cavalinho.
- Vou já – disse o Daniel.
Algum tempo depois, Daniel regressou para ao pé do cavalinho.
- Já fiz tudo – disse ele.
- Então, podemos ir – disse o cavalinho.
Nesse momento, a nuvem brilhante voltou a aparecer e, envolveu Daniel e o cavalinho, transportando-os para a beira de um lago.
Depois de olhar para todos os lados, Daniel viu o cavalinho caído no chão e aproximou-se.
- Estás bem? - perguntou ele.
- Sim – respondeu o cavalinho.
- Onde estamos? - perguntou o Daniel.
- Estamos no Mundo Encantado. Aqui, a magia anda no ar e a alegria está sempre presente- respondeu o cavalinho.
- Quem mora aqui? - perguntou o Daniel.
- Aqui vivem todas as personagens das histórias encantadas – respondeu o cavalinho.
- As personagens das histórias? - perguntou o Daniel.
- Sim. Se olhares para o lago, vês ali ao fundo o patinho feio e, atrás daquele monte estão as casas dos três porquinhos – explicou o cavalinho.
- Posso ir ver? - perguntou o Daniel.
- Claro que sim. Vamos – disse o cavalinho.
Começaram a andar e enquanto subiam o monte viram sete anões a apanhar flores.
- Olá amigos – disse o cavalinho.
- Olá – responderam todos em coro.
- Este é o Daniel e estou-lhe a mostrar o nosso mundo encantado – disse o cavalinho.
- Nós somos o Dunga, o Zangado, o Mestre, o Dengoso, o Soneca, o Atchim e o Feliz e, estamos a apanhar flores para a Branca de Neve – disse o Dunga.
- Onde está a Branca de Neve? - perguntou o Daniel.
- Está em casa a preparar um bolo para os anos do Atchim– respondeu o Soneca.
- Quantos anos é que ele faz? - perguntou o Daniel.
- Não sabemos ao certo. Acho que faz cento e muitos – respondeu o Mestre.
- Já é muito velho – disse o Daniel.
- Aqui, a idade não tem importância – disse o Mestre.
- A Capuchinho Vermelho, continua a ser uma criança mas, já deve ter quase 100 anos – disse o Feliz.
- E o lobo mau? - perguntou o Daniel.
- Esse, nunca nos diz a idade mas, já deve ter quase 100 anos – respondeu o Zangado.
- Este mundo é fantástico. Ninguém fica velho – disse o Daniel.
- Pois não – disse o Soneca.
Nesse momento, uma menina aproximou-se a correr.
- O meu irmão está com muitas dores de barriga – disse ela.
- Onde é que ele está? - perguntou o Dunga.
- O Hansel está atrás do Grande Plátano – respondeu a Gretel.
- Vamos lá – disse o Mestre.
Alguns minutos depois, ao chegarem ao Grande Plátano, viram então Hansel a chorar.
- Como estás? - perguntou o Dunga.
- Estou com muitas dores de barriga – respondeu Hansel.
- O que comeste? - perguntou o Mestre.
- Comi um bocado da casa de chocolate – respondeu Hansel.
- A casa de chocolate já é muito velha e por isso, faz mal à barriga – disse o Mestre.
- Tens que ser menos guloso – disse a Gretel.
- Vou tentar – disse Hansel.
Enquanto isso, viram alguém a fugir de uma multidão de homens. Assustado, Daniel olhou para o cavalinho.
- O que se passa? - perguntou o Daniel.
- É o Ali-Babá que está a fugir dos 40 ladrões – respondeu o cavalinho.
Felizes, Daniel e o cavalinho andaram um pouco e, viram em cima de umas ervas um lindo brilhante sapato.
- Algo me diz que o sapato é da Cinderela – disse o cavalinho.
- Como é que ela o perdeu? - perguntou o Daniel.
- Ela é muito distraída e, deve ter estado até tarde a brincar no lago e depois, deve ter ido com tanta pressa para casa que, se esqueceu – disse o Soneca.
- Por sorte não passou aqui o Gato das Botas senão, já o tinha roubado – disse o cavalinho.
Depois de andarem alguns metros, viram uma grande caixa de vidro vazia, rodeada de flores.
- O que é isto? - perguntou o Daniel.
- Foi aqui que a Bela Adormecida esteve a dormir, antes de o príncipe a acordar – respondeu o Feliz.
Enquanto olhavam para a caixa, ouviram:
“Pára! Pára!”
Segundos depois, ouviram ainda:
“Quem quer casar com a Carochinha que é formosa e bonitinha!?”
- A Carochinha continua à espera do noivo – disse o Atchim.
- Todos os dias são iguais. Ela chama, chama mas, põe defeitos em tudo e por isso, não encontra noivo – disse o Dengoso.
- Qualquer dia encontra alguém – disse o Daniel.
- Ela queria o patinho feio que agora está muito bonito mas, ele não quer nada com ela – disse o Soneca.
Feliz, Daniel viu que se tinha formado um arco-íris. 
-Tão bonito – disse ele.
- Está na hora de regressarmos a casa – disse o cavalinho.
Instantaneamente, a nuvem brilhante apareceu e, depois de envolver Daniel e o cavalo, levou-os para o quarto onde os deixou.
Ao abrir os olhos e vendo que já estava no seu quarto, Daniel olhou para o cavalo de madeira que, lhe piscou o olho enquanto baloiçava.
Feliz, Daniel sorriu e nunca esqueceu a viagem onde, a fantasia e a imaginação estavam bem presentes.

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

O urso bebé

O sol estava a nascer e a aldeia Pitorras começava a despertar. Na rua Chicla, numa casa branca com um grande jardim, morava o Simão com 9 anos e os pais. Alguns metros depois, moravam também os irmãos André e Inês de 9 e 8 anos. Amigos desde criancinhas, o Simão, o André e a Inês adoravam explorar e, todos os espaços, eram oportunidades para a diversão. Pouco depois de o relógio da igreja bater as 10:00, os amigos encontraram-se na praceta Solidó e, começaram a planear o dia.                               - Podemos ir visitar o moleiro e, divertimo-nos com a Donzela.
- Acho melhor não. Ontem, a Donzela estava chateada e ia-me dando um coice.
- Pois foi. Ela é uma mula com muito trabalho e, não gosta muito de visitas.
- Têm razão.
- E se fossemos à oficina do Custódio ver se ele já fez mais algum carro de madeira?
- No outro dia, quando lá passei, ele estava a começar a fazer um carocha. Vamos ver se já o fez.
- É isso. Vamos lá.
Sorridentes, os amigos começaram a andar e, ao chegarem à oficina do amigo, viram-no a remexer em vários bocados de madeira. 
- Bom dia, Custódio.
- Bom dia, rapaziada.
- O que tens feito?
- A minha vida é fazer carros. Mas, de madeira.
- E são muito bonitos.
- Desde que fiz o primeiro, tenho sempre tentado melhorar.
- E tens melhorado.
- Sim. Só lhes falta o motor para andarem.
- Falta o motor e tamanho. Estes só podiam ser conduzidos por ratos. E, não podiam ser muito grandes.
- Tem razão.
- E, o que andam os meus amigos a fazer?
- Não tínhamos nada para fazer e por isso, decidimos vir aqui ver o teu trabalho.
- E fizeram muito bem em vir.
- Precisas de ajuda em alguma coisa?
- Por acaso, estava à procura de umas tábuas de cerejeira para acabar este trabalho mas, já devo ter usado as que tinha.
- Queres que vamos buscar mais?
- Isso é que era uma boa ação.
- Mostra-nos como são que, nós vamos à procura.
Custódio pegou num bocadinho que tinha e entregou-o aos amigos.
- Aqui está. Se encontrarem algum, tragam-no. Não importa o tamanho.
- Está bem. Vamos já.
- Obrigado amigos.
Já fora da oficina, os amigos sorriam felizes.
- Vamos ver no pinhal atrás da casa da dona Lúcia.
- Ok.
  Durante o caminho, os amigos correram, saltaram e riram felizes. Ao chegarem ao pinhal, começaram a procurar a madeira de cerejeira e, alguns metros depois, em cima de umas folhas secas estava o que procuravam.
Enquanto os apanhavam, começaram a ouvir barulhos parecidos com grunhidos fracos. Curiosos, pararam e ficaram à escuta. Minutos depois, perceberam que os barulhos vinham de uma caverna e, aproximaram-se silenciosamente.
Quando olharam lá para dentro, viram um urso pequenino enroscado noutro que, devia ser a sua mãe.
Segundos depois, a mãe ursa abriu os olhos e olhou para os amigos, grunhindo baixinho.
Sem saberem o que fazer, os amigos afastaram-se a correr e, pegaram nas madeiras, regressando à oficina do amigo Custódio, entregando-a.
- Obrigado amigos. Agora já posso acabar o carocha.
- Não é preciso agradeceres.
- Está na hora de irmos embora.
- Adeus rapaziada.
- Adeus Custódio.
Já na rua, os amigos conversaram.
- Temos que lá voltar.
- Sim.
- Amanhã, levamos uma pilha e voltamos lá.
- Exatamente.
- Então, amanhã encontramos-nos aqui às 14:30.
- Fica combinado.
- Ok.
No dia seguinte, ainda antes da hora marcada, os amigos reuniram-se.
- Vamos lá.
- Eu trouxe uns biscoitos para lhes dar. Espero que gostem.
- Se forem gulosos como eu, de certeza que gostam.
- Vá. Vamos é indo para não perdermos tempo.
Ao longo do caminho, os amigos cantavam e riam felizes.
Chegados ao pinhal, aproximaram-se da caverna e de repente, ouviram umas vozes. Rápidos, esconderam-se atrás da vegetação e ouviram:
“Pelo que o Euclides disse, deve ser aqui perto.”
“Espero que não andemos à procura dos ursos e eles não existam.”
“Para ele já ter um comprador para os bichos, é porque eles existem.”
“Eu só acredito, vendo.”
“És tão desconfiado.”
“Eu é que sei.”
“Está bem. Vamos é continuar a procurar.”
“Só se fores tu. Eu hoje já andei mais do que num ano inteiro. Vou mas é para casa e, amanhã logo se vê.”
“Eu faço como tu. Não vou andar por aqui sozinho.”
“Então, vamos embora. Amanhã voltamos à caça.”
Depois de os homens se irem embora, os amigos saíram do esconderijo.
- Não podemos deixar que eles apanhem os ursos.
- Pois não. Mas, o que pudemos fazer?
Em silêncio, os amigos pensavam numa solução.
- Já sei!
- O quê!?
- Lembram-se do senhor Virgílio da quinta Estrelinha?
- Sim.
- Podemos ir falar com ele e, se lhe contarmos que querem apanhar os ursos, ele de certeza que nos ajuda.
- Boa ideia.
- Vamos lá já, para não perdermos tempo.
Ao chegarem à quinta Estrelinha, o senhor Virgílio recebeu-os muito contente.
- Olá a todos!
- Olá senhor Virgílio. Podemos falar consigo?
- Claro que sim. Vamos até à cozinha que, a minha Dores deve lá ter bolachas.
Ao chegarem à cozinha, foram recebidos com abraços e beijos.
- Logo hoje que não fiz nenhum bolo é que recebemos visitas. Mas, o que me vale é que eu tenho sempre umas bolachas escondidas para o Virgílio não as comer.
- Sorte a delas!
- Sorte a delas!?
- Sim. Sorte das bolachas porque se eu as encontro, não deixo nenhuma para amostra.
- Pois, pois!
- Mas, agora vamos ao que interessa. O que me queriam contar?
- Senhor Virgílio, no outro dia fomos ao pinhal buscar madeira para o Custódio e, vimos um urso grande e um pequeno. Desde então, temos lá ido todos os dias mas, hoje vimos dois homens que, andam à procura deles para os venderem.
- Eles não podem fazer isso!
- Mas fazem se não forem impedidos.
- Vou falar com alguns amigos e, depois digo-vos algo.
- Ficamos à espera.
- Não se preocupem que, vou já falar com eles.
- Amanhã, viemos cá para saber o que fazer.
- Fica combinado. Até amanhã.
- Até amanhã.
De regresso às suas casa, os amigos esperaram ansiosos pelo dia seguinte e, pensaram no que poderiam fazer para afastar os homens.
Na manhã do dia seguinte, ainda antes das 9:30, os amigos encontraram-se e, foram até à quinta do amigo.
- Durante a noite, fartei-me de pensar em alguma coisa que pudéssemos fazer mas, não consegui.
- Eu pensei que podíamos abrir um grande buraco à frente da caverna e, tapá-lo depois com ramos para que, quando eles os calcassem, caíssem lá dentro.
- Essa ideia não é má de todo mas, é impossível.
- Porquê!?
- Tinha que ser um buraco muito grande e fundo e, nós não o conseguíamos abrir a tempo.
- Tens razão.
- Então!? Pensaram em mais alguma coisa?
- Não.
- Não.
- Vamos esperar pelo senhor Virgílio para sabermos se ele pensou em algum plano.
- Olhem! Ele vem ali com outros senhores.
Segundos depois, já ao pé dos amigos, Virgílio sorriu.
- Olá amigos.
- Olá.
- Como vos tinha dito, falei com estes comparsas e, pensámos numa maneira de proteger os ursos dos homens.
- Como!?
- É fácil. Eu e os meus comparsas vamos lá para dentro com umas cordas e escondemos-nos. Vocês ficam cá fora escondidos e, quando os virem chegar, imitam os sons das corujas. Lá dentro, nós vamos estar à escuta e, quando vos ouvir-mos, vamos usar as cordas e algumas pedras para os apanharmos. Enquanto isso, vocês correm até ao café do Fininho e chamam a policia.
- Boa ideia!
- Sim. Mas, temos que ser rápidos.
- Vamos quando?
- Assim que o Bartolomeu e o Zacarias chegarem com as cordas, vamos logo.
- Está bem.
Algum tempo depois, os amigos do senhor Virgílio chegaram e, depois de todos se +prepararem, entraram na caverna. Rapidamente, André, Inês e Simão foram esconder-se atrás de umas ervas altas e, ficaram de vigia.
Os minutos foram passando e, num momento em que os amigos já duvidavam se os homens apareceriam, ouviram.
“Vamos lá buscar o animal.”
“Sim. Vamos depressa.”
“Eu levo a lanterna e tu, as cordas.”
“Pois. O trabalho complicado fica sempre para mim.”
“Deixa-te de reclamar. Vamos é despachar isto.”
“Vá, então.”
Ao ouvirem aquilo, os amigos começaram a imitar as corujas.
“Uuh uuh, uuh uuh,uuh uuh.”
Atentos Custódio, Bartolomeu e Zacarias ouviram os sons e prepararam-se.
Quando viram os homens entrar na caverna, os amigos afastaram-se a correr o mais depressa que conseguiam até que, chegaram ao café do Fininho.
- Senhor Fininho! Podemos usar o seu telefone!?
- Claro que sim. Mas, o que aconteceu para virem a correr tanto!?
- Depois contamos-lhe.
- Estejam à vontade com o telefone.
- Obrigado.
Simão pegou no telefone e, depois de ver o número da policia, marcou-o e, esperou que atendessem a chamada.
“Quartel da policia da Pitorras, bom dia. Em que posso ajudar?”
- Bom dia. Eu sou o Simão e estou a telefonar-vos porque estão uns homens no pinhal a tentar apanhar o urso bebé que lá está.
Depois de acabar o telefonema, os amigos aproximaram-se da policia. No momento em que todos se preparavam para entrar, ouviram:
“Agora já não podem levar o urso.”
Nesse momento, Custódio, Bartolomeu e Zacarias saíram da caverna e, traziam consigo, três homens presos pelas cordas.
“Aqui estão os caçadores.”
“Os caçadores, caçados.”
“Vamos já levá-los para o quartel. Têm muito que contar.”
- Podemos ir lá dentro?
- Claro que sim.
Felizes, os amigos entraram na caverna e viram o urso bebé e a sua mãe ursa.

A partir desse dia, sempre que tinham tempo livre, os amigos iam à caverna ver o urso que chamaram de Kiko e brincavam com ele.

domingo, 9 de outubro de 2022

Uma doce corrida

        O sol furava lentamente as nuvens e aos poucos, um novo dia começava.
Também a pequena aldeia Cochichos começava a despertar e, alguns dos seus moradores já passeavam pelas ruas.
Na praceta Fanico, o senhor Zacarias abria o seu quiosque e, distribuía os jornais0 enquanto assobiava feliz.
Numa casa da rua Chiclas, os irmãos Liliana e Simão de 9 e 11 anos tomavam o pequeno almoço e conversavam acerca do que iriam fazer durante o dia.
- Podíamos ir ao parque ver os gansos.
- Ainda ontem os vimos. De certeza que eles não mudaram de ontem para hoje.
- Tens razão. E se, fôssemos ao armazém do Dani ver o que é que ele tem andado a inventar?
- Vamos. Mas primeiro, passamos por casa da Mariana e do André e perguntamos se querem ir connosco.
- Boa ideia.
Depois de saírem de casa, os irmãos andaram um bocado e, ao chegarem a casa dos amigos, tocaram à campainha. Segundos depois, a dona Dalila abriu a porta, sorridente.
- Bom dia. Tudo bem?
- Bom dia, dona Dalila. Sim, está tudo bem.
- Precisam de alguma coisa?
- Podemos falar com o André e com a Mariana?
- Claro que sim. Eles estão na sala a ver televisão.
- Obrigada.
- Não fui obrigada a nada. Vão até lá.
Simão e Liliana foram então até à sala.
- Olá pessoal. Bom dia.
- Bom dia.
- O que estão a ver?
- Estamos a ver uma corrida onde, os participantes têm que correr e levar um bolo nas mãos.
- É muito giro pois, os participantes quase sempre os deixam cair logo ao principio.
- Deve ser engraçado.
- E é. Sentem-se e vamos continuar a ver.
Os amigos então sentaram-se e juntos, viram o resto do programa. No final, enquanto todos comentavam o que tinham visto, Liliana estava calada e pensativa.
- Então e tu, Liliana. Gostaste?
- Gostei e, acho que sei o que podemos fazer para animar a aldeia.
- O quê!?
- O que acham de uma corrida como esta?
- Ia ser fixe!
- Eu gosto da ideia.
- Sim. Já estou a imaginar bolos a voar e chantilly a escorregar.
- Exatamente. Vamos falar com o senhor Filipe o presidente do clube desportivo para ele autorizar.
- Quando formos para casa, eu e a Liliana vamos até à casa dele e, conversamos.
- Mas, depois telefonem para nos dar a resposta.
- Está bem.
- Então, vá. Vamos andando para não demorarmos muito.
Simão e Liliana saíram e, ao chegarem a casa do presidente, viram-no sentado no alpendre.
- Bom dia sr. Filipe.
- Bom dia, pessoal. Tudo bem?
- Sim, tudo.
- O que fazem?
- Podemos falar consigo?
- Claro que sim. Entrem.
Felizes, os irmãos foram até ao alpendre e começaram a conversar.
- À pouco, quando fomos a casa dos nossos amigos, vimos um programa na televisão que, nos deu uma ideia para fazermos aqui na aldeia.
- Qual foi a ideia?
- É muito fácil. A ideia é, uma corrida onde todos os participantes levem um bolo e, não o podem deixar cair.
- Isso é uma ótima ideia.
- Sim. E ganhava quem chegasse ao fim com o bolo nas mãos e inteiro.
- Adorei e, acho que vai ser um sucesso.
- Podemos avançar com a ideia?
- Podem. E, têm todo o meu apoio.
- Vamos já começar a pensar no que temos que fazer.
- Estejam à vontade. Se precisarem de fazer cartazes, vão ao clube pois, à lá muito material que podem utilizar.
- Muito obrigado. Vamos já começar.
De regresso a casa, Liliana telefonou logo para os amigos.
- Estou!? Já falámos com o presidente e ele, adorou a ideia. Podemos avançar e, se quisermos fazer alguns cartazes, só temos que ir ao clube e, utilizar o material que lá está. Amanhã, venham cá a casa para planearmos tudo.
Ansiosos pelo dia seguinte, os amigos dormiram felizes.
De manhãzinha, os amigos reuniram-se  e, depois de irem ao clube recreativo buscar cartolinas, papel cenário e outros materiais, começaram a trabalhar.
- A corrida pode começar na praça Esfregada, passar pela rua Come e Dorme e acabar na praceta Fanico.
- Esse percurso é bom mas, qual vai ser o prémio?
- Com tanta doçura, o prémio pode ser um piquenique com os bolos restantes para toda a aldeia.
- É mesmo isso. Vamos começar.
Depois de fazerem diversos cartazes a anunciar a corrida, foram distribui-los pela aldeia.
Nos dias que se seguiram, o tema principal de conversa na aldeia era a corrida e, os amigos estavam mais que ansiosos.
Chegado o tão esperado dia, a praça Esfregada estava cheia de pessoas. Depois de alinharem todos os concorrentes, a corrida começou assim como a diversão.
Poucos metros depois, os amigos Joana e Sebastião corriam lado a lado e, aproveitavam para fazer caretas um ao outro. No momento em que o Sebastião se preparava para passar à frente da amiga, ela passou-lhe uma rasteira e, ele caiu em cima do bolo de laranja que levava.
Um pouco mais à frente, Benjamim corria com o seu bolo de ananás decorado com coloridas pintarolas e diversas bandeiras de chocolate que, sem olhar para o chão escorregou numa folha de palmeira e, mesmo depois de se ter tentado equilibrar, caiu em cima do bolo.
Cuidadosa, Luísa levava um bolo de maçã e, tentava desviar-se dos outros corredores. Mas, ao descer o passeio, calcou uma pedra que rebolou e a desequilibrou, deixando cair o bolo.
Já com a meta à vista, Vicente com o seu bolo de chocolate sorria feliz e contente. Mas, de um momento para o outro, o amigo Daniel aproximou-se e deu-lhe um encontrão. Vicente inclinou-se para o lado e, no momento em que estava quase a recuperar o equilíbrio, o bolo escorregou-lhe das mãos e caiu. 
Ao longo do percurso, vários outros concorrentes deixaram cair os seus bolos mas, continuaram a correr, felizes.
Na praceta Fanico, várias pessoas esperavam pelo vencedor e, quem atravessou a meta primeiro e com o bolo ainda perfeito foi o concorrente Gonçalo.
Depois de uma grande salva de palmas, o sr. Filipe pegou no microfone.
- Amigos! Terminada esta doce corrida, convido-vos a festejar este momento aqui, num piquenique.
Muito felizes, os amigos participaram no piquenique e, festejaram com todos os habitantes da aldeia.

O medo da Cristal

  O dia estava a nascer e ao mesmo tempo, o país das fadas despertava. Enquanto algumas fadas faziam os seus voos matinais, outras abriam a...